domingo, 17 de junho de 2012


                           Legião, eterna... 

Na noite de 29 de maio, em torno de  6ooo pessoas cantaram juntas as músicas da extinta Banda Legião Urbana, num show Tributo ao inesquecível Renato Russo, transmitido ao vivo pela MTV. Wagner Moura foi escolhido para interpretar as canções da banda, “substituindo”  Renato em seu posto sagrado, e acompanhado  por Dado-Villalobos, Marcelo Bonfá e pelas vozes das milhares de pessoas que lotaram o Espaço das Américas, em São Paulo, na terça-feira, na primeira das duas noites do tributo.
O consagrado ator Wagner mostrou um lado cantor, muitas vezes sofrível, mas com muita emoção, de um fã do Renato, teve uma performance capaz de sacudir, não só o público presente, mas o Brasil todo, que assistiu o show ao vivo. Tornou-se impossível não voltar no tempo e cantar com eles as músicas, cujas letras toda uma geração (arrisco dizer que várias gerações) sabe de cor.
Surpreendeu-me a coragem do ator em assumir a responsabilidade de interpretar as canções do Renato, que com sua voz forte e inconfundível levou alegria e trouxe emoção, com letras que são verdadeiras joias, a multidões,  que embevecidas, não conseguem escutá-las sem cantarolar junto, mesmo vários anos depois. No entanto, a paixão que o ator colocou na interpretação, foi o diferencial, que fez com que um país todo cantasse junto com ele, mesmo com alguns “assassinatos” (opinião minha) às canções da Legião. Como acredito fortemente que não se consegue fazer nada ser bom, sem colocar paixão, ou fazendo “mais ou menos”, penso que se outro tivesse sido escolhido para essa missão, um cantor talvez, não tivesse tanto retorno do público.


 
Renato foi e será sempre o Renato porque tinha uma alma apaixonada, um poeta cujas letras reverenciavam a vida, as alegrias, as dores, a natureza, os sentimentos inerentes ao ser humano, e por isso conseguiu trazer a tona a emoção das pessoas e isso o tornou especial, num mundo tão frio, materialista e insensível. Renato colocava poesia no que escrevia,  da mesma forma que Cazuza, embora ambos fossem extremamente diferentes. Se pararmos para analisar, era um poeta-cantor e competente além da conta, em ambas as funções, além de um carisma arrebatador com seu público. Isso o tornou inesquecível.

            A letra de “Será”, por exemplo,  exige  que se releia e reflita acerca do que ele está pensando, bem diferente do”Ai se eu te pego”, entre outras que nem sei citar agora,que é hit da nossa juventude, hoje. Não se trata de uma crítica pura, mas de constatação sobre os sons de hoje.
Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação?
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
Não destrua nossos corações”
 Além disso, suas letras contestavam um sistema manipulador, concentrador de riquezas e privilégios a alguns, o que tornam suas letras atuais, até hoje.

Legião Urbana despertou muitas paixões, não somente nos adultos e jovens de sua época, e eu torço para que a juventude atual conheça mais essa banda que comparava a morte a uma Via-Láctea, símbolo do infinito, mas que com certeza, queria mostrar que infinita é a vida e a capacidade de encontrar alegria e prazer, até no inusitado.
A banda Legião Urbana acabou, mas com certeza, marcou e representou o retrato daquela juventude que ainda sabia sonhar. 
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