quarta-feira, 27 de julho de 2011

Esse texto é uma reflexão, simplesmente, que faço como educadora, mas também como mãe. Ao realizar uma releitura, fiquei com a nítida e amarga impressão que o conceito de família, nem sempre é esse, visto que trabalho diariamente com realidades distintas e até antagônicas. UTOPIA. Tenho que confessar que sou uma idealista e que meus sonhos de adolescente(todo adolescente é egocêntrico e sonhava em mudar o mundo, hoje não mais) ainda persistem, cada vez que surge um novo desafio em meu trabalho. O idealista, ao sonhar e refletir, acaba plantando sementes...
                      E você, o que pensa disso?



O contexto familiar

Vivemos, hoje, em um mundo globalizado, onde tudo se transforma constantemente. A sociedade,vem sendo  permeada por constantes modificações, em todos os âmbitos:histórico, cultural, econômico e social, . A família, por sua vez, em decorrência disso, sofreu nas últimas décadas, significativas transformações quanto a sua função, a sua composição  e também em seu formato.
A família, historicamente, contribui para a reprodução biológica e social de nossa sociedade,  pois  em seu meio  sempre se inicia a educação dos filhos por meio da aquisição de valores e crenças que farão com que esse sujeito realize a sua leitura de mundo, de acordo com o que aprendeu entre os seus,  assim permitindo a perpetuação das normas vigentes na sociedade.
A globalização permite que em frações de  segundos, o planeta todo esteja conectado às mesmas notícias, reduzindo  tempo e distância,  ao mesmo tempo em que exige  que tudo seja realizado com urgência, pois numa sociedade capitalista, é preciso qualificação para poder sobreviver à concorrência  diária.  A ciência evoluiu e  trouxe um aumento significativo na expectativa de vida, o imediatismo  ditado pela mídia trouxe a busca pelo prazer imediato, o tempo dedicado às questões profissionais vem sendo cada vez maior e desse modo, percebe-se um novo redesenhar dos contornos familiares.
Nessa perspectiva, a partir da segunda  metade do século xx,  a família nuclear, composta por pai, mãe e filhos, hierárquica e centrada no poder do pai, começou a  sofrer transformações significativas e” já não é mais a realidade predominante no Brasil,” de acordo com a antropóloga Mirian Grossi.
 A alteração do  papel da mulher, na configuração familiar, foi determinante para que essas mudanças acontecessem. A mulher,  era a “rainha do lar”,  com sua existência dedicada exclusivamente a ser a mãe dedicada, extremosa, e a cuidar com zelo da casa, providenciando para que nada faltasse aos filhos ou ao marido, a quem devia obediência cega. Ser mulher, até aproximadamente o final dos anos 1960, significava identificar-se com a maternidade e a esfera privada do lar, sonhar com um “bom partido” para um casamento indissolúvel e afeiçoar-se a atividades leves e delicadas, que exigissem pouco esforço físico e mental (RAGO, 2004, p. 31).
  A partir de 1962, com o lançamento do Estatuto da mulher casada e com a  chamada "revolução sexual" dos anos sessenta, juntamente com o aparecimento da pílula anticoncepcional,houve a inserção gradativa da mulher no mercado de trabalho. Essas mudanças foram recebidas  com apreensão, na época, pois poderiam prenunciar o fim da família, dos costumes e da moral.
Nesse sentido, a mulher deixou de ser dependente economicamente do marido e, em conseqüência disso, mudanças sociais , econômicas e culturais ocorreram,  diminuindo a  taxa de natalidade, aumentando o número de separações e de famílias lideradas por mulheres.
A medida que tantas mudanças iam ocorrendo, o contexto social,histórico, também vai sofrendo alterações.  Desse modo, os adultos separados vão encontrando novos pares e assim começam a surgir novos arranjos familiares, tais como famílias alternativas, famílias mono parentais, famílias gays, famílias mosaicos,  com pais, madrastas, mães, padrastos e irmãos  consangüíneos ou não, muitas vezes, filhos de relações diferentes,  todos coabitando o mesmo espaço.
Assim, todas essas transformações aliadas à tecnologia da medicina, das novidades da estética e  a moda defendida  pela mídia, colocam a juventude no topo dos desejos. Ser jovem  é ter o poder numa sociedade em que as notícias da semana passada são obsoletas. Essa geração de pais, portanto, não querendo amadurecer, busca contrariar a educação rígida a que foi submetida , resultando em adultos desnorteados, sem exercer sua função de impor limites a seus filhos.
Nesse sentido, atualmente, a maioria das famílias vive num mesmo espaço, porém convive  pouco,  pois os pais estão trabalhando cada vez mais , visto que a sociedade de consumo exige jornadas intermináveis, enquanto a rotina dos filhos segue quase o mesmo ritmo, em função do preparo exigido para a concorrência futura, no mercado de trabalho. Esse estilo de vida vem resultando em filhos que em vez de amor, recebem recompensas materiais  e  acabam dando mais valor ao aspecto material que ao  interior  das pessoas.  Isso acaba contribuindo para o aumento crescente de crianças e jovens que exigem que os pais só realizem aquilo que for consentido por eles, pois os pais têm medo de não conquistar o amor dos filhos, em serem rejeitados por estes.  O abandono e a conseqüente falta de educação, de limites do que é certo ou errado , acontecem quando os adultos  responsáveis  “não bancam a sua diferença diante dos filhos”, não agindo como “o adulto da relação”.
Nessa perspectiva, esses aspectos  que acabaram por alterar a concepção de família,  também modificaram as relações institucionais da educação formal e exigiram novos olhares e a busca de novos paradigmas na escola.  Hoje, o professor não é mais visto com o mesmo prestígio de outrora, pois o aluno vem para a escola com outra perspectiva ,  gerada  pela  vivência familiar e social.
Segundo Melman (2008), a partir disso, os consultórios estão abarrotados pois “muitos jovens buscam a psicanálise, hoje, para descobrirem o que realmente desejam, nossos filhos estão  sendo criados em condições que promovem a busca rápida pelo prazer máximo e sem obrigações.”
Desse modo, os limites estabelecidos pela escola, geralmente são motivos de conflitos entre alunos, educadores e pais, quando esta mesma escola,  procura exercer o papel  que deveria ser destes. Contudo, não se pode dizer que isso acontece em função das ditas modificações estruturais nos moldes da família, mas por essa geração de pais que não conseguem assumir os encargos pertinentes  à paternidade
A mudança dos costumes, da moral e da visão do sexo associada à vertiginosa evolução tecnológica e científica, modificou  enormemente as representações sociais da família. Sexo, casamento e reprodução, bases da organização  da família, se desatrelaram definitivamente. Não é mais necessário sexo para haver reprodução, e o casamento há muito tempo não é mais o legitimador da sexualidade. Sexo pode ser só pelo prazer, ainda que algumas religiões não admitam e continuem com um discurso hipócrita e na contramão da história.
          Assim, a família deixou de ser, essencialmente, um núcleo econômico e de reprodução. Hoje, ela está muito mais para um espaço do amor, do companheirismo, da solidariedade e do afeto. Um local destinado para a construção do sujeito e de sua dignidade.  A  família foi, é e continuará sendo o núcleo básico de qualquer sociedade. Por mais que se tenha diferentes formas de constituição das famílias, por mais que estejam presentes os interesses de mercado, da sociedade midiática e por mais variadas que sejam as formas de manifestação da sexualidade, em sua essência está um espaço propício para formar sujeitos através da troca constante de amor e afetos, pois essa é uma busca contínua e inerente ao ser humano.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Quintana...poesia pra alimentar a alma.

Quintana é meu poeta preferido. Eis ai:

                      

                                Dedicatória

Quem foi que disse que eu escrevo para as elites?
Quem foi que disse que eu escrevo para o bas-fond?
Eu escrevo para a Maria de Todo o Dia.
Eu escrevo para o João Cara de Pão.
Para você, que está com este jornal na mão...
E de súbito descobre que a única novidade é a poesia,
O resto não passa de crônica policial - social - política.
E os jornais sempre proclamam que "a situação é crítica"!
Mas eu escrevo é para o João e a Maria,
Que quase sempre estão em situação crítica!
E por isso as minhas palavras são quotidianas como o pão nosso de cada dia.
E a minha poesia é natural e simples como a água bebida na concha da mão.
in: A Cor do Invisível

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

                                                    


                                           Pequenos massacres de todo dia...



Após o post "Repensagens",  no qual falo sobre o preconceito, delineando o bullying, o papel da escola e dos cidadãos para tentar reverter esse quadro dolorido, triste e hostil que encontramos em nossa sociedade, trago um texto da escritora Eliane Brum. Particularmente, não considero obra do acaso, quando a partir de um twit do jornalista Marcos Rolim, entrei num link que levou-me ao texto que posto aqui.  Trata-se de um texto que consegue nos transportar ao centro do problema que queremos trazer a tona , com o objetivo de refletir sobre essa realidade.  Com maestria, a escritora nos mostra uma situação cotidiana( infelizmente) desnudada e o seu reverso. Leia, e depois reflita comigo, através de um comentário.
O texto foi retirado da revista ÉPOCA, produzido pela  escritora ELIANE BRUM.
bjos e boa leitura.


                                               NA PELE DO OUTRO
                                                                                         
                                                                                                              ELIANE BRUM  (Revista Época)
                                                                                                                   17 janeiro de 2011




O cotidiano parece se repetir conforme o previsto até que você é empalado por uma cena. Eu saía da loja de um shopping de São Paulo, na tarde de sábado, quando ele passou por mim. Não sei se era a forma como o ar se deslocava de outro jeito ao redor dele, mas eu ainda não o tinha visto e minhas mãos já se estendiam no ar para ampará-lo. Ou talvez fosse só impressão minha, uma vontade estancada antes do movimento. Era um homem velho. Mas mais do que velho, era um homem doente. Cada um dos seus passos se dava por uma coragem tão grande, porque até o pé aterrissar no chão me parecia que ele podia retroceder ou cair. Mas ele avançava. E porque ele avançava na minha frente eu pude ver aquilo que outras partes de mim já haviam percebido antes. Sobre a sua cabeça havia uma peruca tão falsa que servia apenas para revelar aquilo que ele pretendia esconder. E de uma cor tão diferente do seu cabelo branco que parecia descuido de quem o amava ou não amava. Aquilo doía porque havia uma vaidade nele, a preocupação de ocultar a nudez da cabeça. E a peruca mal feita a expunha como um fracasso. A cada um de seus passos de epopeia sua camisa subia revelando um largo pedaço da fralda geriátrica. E assim ele avançava como uma denúncia claudicante da fragilidade de todos nós. Atravessando o corredor do shopping, lugar onde fingimos poder comprar tudo o que nos falta, consumidos pelo medo dessa vida que já começa nos garantindo apenas o fim.
Eu o seguia nesse balé sem coreografia quando ouvi os risinhos. Olhei ao redor e vi as pessoas se cutucando. Olha lá. Olha lá que engraçado. Ele tinha virado piada. Aquele homem desconhecido deixara a sua casa e atravessava o shopping. Para isso empreendera seus melhores esforços. Tinha vestido a peruca para que não percebessem sua calvície. Tinha colocado a fralda para não se urinar no meio do corredor. E caminhava podendo cair a cada passo. E as pessoas ao seu redor riam. E por um momento temi uma cena de filme, quando de repente todos começam a gargalhar e há apenas o homem em silêncio. O homem que não compreende. Até enxergar seu reflexo no olhar que o outro lhe devolve e ser aniquilado porque tudo o que veem nele não é um homem tentando viver, mas uma chance de garantir sua superioridade e sua diferença.
Quando entrevisto algum escritor costumo perguntar: por que você escreve? Alguns me respondem que escrevem para não matar. Eu também escrevo para não matar. Acho que na maior parte das vezes a gente escreve, pinta, cozinha, compõe, costura, cria, enfim, porque não sabe o que fazer com as pessoas que riem enquanto alguém tenta atravessar o corredor do shopping sem ter forças para atravessar o corredor do shopping.
O que me horroriza, mais do que os grandes massacres estampados no noticiário, são essas pequenas maldades do cotidiano. E só consigo compreender os grandes massacres a partir dos pequenos massacres de todo dia. Os risinhos e dedos que apontam, os cotovelos que se cutucam.
Quem pratica os massacres miúdos do dia a dia é gente que se acha do bem, que não cometeu nenhum delito, que vai trabalhar de manhã e dá presente de Natal. Gente com quem você pode conversar sobre o tempo enquanto espera o ônibus, que trabalha ao seu lado ou bem perto de você, e às vezes até lhe empresta o creme dental no banheiro. É destes que eu tenho mais medo, é com estes que eu não sei lidar.
Entrevistei muitos assassinos sem sobressalto, porque estava tudo ali, explícito. Era uma quebra. O que me parece mais difícil é lidar com o mal rotineiro e persistente, difícil de combater porque camuflado. O mal praticado com afinco pelos pequenos assassinos do cotidiano que nenhuma lei enquadra. E quando você os confronta, esboçam uma cara de espanto.
O pequeno mal está por toda parte. Possivelmente sempre esteve. Apenas que cada época tem suas peculiaridades. E na nossa somos cegados o tempo inteiro por imagens que nos chegam por telas de todos os tamanhos. E cada vez mais escolhemos as cenas que veremos, com quais nosso cérebro decidirá se comover. E as dividimos com os amigos no twitter, enviamos por email e parece até que há uma competição sobre quem consegue enviar mais rápido as imagens mais impactantes. Mas não sei se isso é ver. Não sei se isso nos coloca em contato de verdade.
Penso nisso porque acho que o mundo seria melhor – e a vida doeria um pouco menos – se cada um se esforçasse para vestir a pele do outro antes de rir, apontar e cutucar o colega para que não perca a chance de desprezar um outro, em geral mais vulnerável. Antes de julgar e de condenar. Antes de se achar melhor, mais esperto e mais inteligente. Vestir a pele do outro no minuto anterior ao salto na jugular.
Para mim é imediato me colocar na pele do homem que atravessa o corredor sem saber se vai chegar até o fim sem tombar. Mas é mais difícil me enfiar na pele das pessoas que riem, porque sinto raiva. E tenho a pretensão de não ter nada a ver com gente assim. Incorro então no mesmo erro, ao me pretender tão diferente daquele que me horroriza. É certo então que também eu cometi e cometo meus pecados de soberba. Por coerência – e eu valorizo a coerência - preciso me forçar. E eu me forço porque acredito nesse ato.
Quais são as razões delas, então? Por que ao testemunhar o homem que atravessa o shopping em passos trôpegos elas riem, se cutucam e apontam? Fiquei pensando se estas pessoas estão tão cegas pela avalanche de cenas em tempo real que para elas é apenas uma imagem da qual podem se descolar. É só mais uma cena que, como tantas a que assistimos todos os dias, não sabemos mais se é realidade ou ficção. Não é que não sabemos, apenas que parece que não importa, agora que os limites estão distendidos. Por que apenas assistimos às cenas – não as vemos nem entramos em contato.
E é esta a grande diferença num mundo de tanta visibilidade e tão pouco contato real. E o real aqui não é uma oposição entre o real e o virtual, mas o real real. Eu vejo você, eu toco em você, eu sinto a sua dor e me sujo com o seu sangue, ainda que seja pelo computador. É um jeito de estar no mundo e se relacionar com o outro disposto a se deixar tocar e a assumir os riscos de se deixar tocar. Me parece que estamos cada vez menos dispostos a isso – apesar de termos uma possibilidade grandiosa de acesso ao outro por conta da internet. Será que é isso? Dezenas de amigos no facebook e nenhum contato real, no sentido de se deixar transtornar e transformar pelo outro, para além das amenidades e da persistente troca de informações?
Será que era por isso que podiam rir? Por que não tinham nenhuma conexão com aquele outro ser humano? É curioso que agora o verbo conectar é mais usado para nos ligarmos a uma máquina que nos leva instantaneamente para a vida dos outros. Pela primeira vez somos capazes de nos conectar ao mundo inteiro. O que é mais fácil do que se conectar a uma só pessoa - ao homem doente que atravessa o corredor do shopping diante de nós. É curioso como agora podemos nos conectar – para nos desconectarmos.
E se, ao contrário, riam porque se sentiam tão conectadas a ele que precisavam rir para suportar? Pensei então que talvez pudesse ser esta a razão. Aquelas pessoas realmente enxergavam aquele homem – e por enxergar é que precisavam rir, se cutucar e apontar. Porque a fragilidade dele também é a delas, a de cada um de nós.
Nada nos garante que em algum momento da vida não estaremos nós também tentando atravessar o corredor do shopping por onde hoje caminhamos sem sentir. Nada nos assegura de que um dia não seremos nós a quase cair a cada passo. Se tivermos sorte e não morrermos de bala perdida ou de chuva, como afirmar que não usaremos fralda geriátrica ou tentaremos cobrir nossa calvície ou as marcas de uma quimioterapia com uma peruca que apenas denuncia aquilo que queríamos esconder?
Talvez seja esta a razão, pensei. Essas pessoas precisaram rir, cutucar e apontar para ter a certeza – momentânea e ilusória – de que ele não era elas. Não seria nunca. Só apontamos para o outro, para o diferente, para aquele que não somos nós. E quando apontamos para alguém é justamente para denunciar que ela não é como nós.
Neste caso, teria sido para se certificar. Elas diziam: Olha que peruca ridícula. Ou: Você viu que ele está de fralda? Mas na verdade estavam dizendo: O que acontece com ele nunca acontecerá comigo. Ou: Ele não tem nada a ver comigo. Por que deixam gente assim entrar num shopping?
Riam, cutucavam e apontavam por medo do que viam nele – de si mesmas.
São hipóteses, apenas. Uma tentativa de entender – de pensar e escrever em vez de responder com violência à violência que presenciei. E que me aniquila tanto quanto um massacre reconhecido no noticiário como massacre.
Talvez não seja nada disso. No Natal minha filha me deu de presente uma camiseta em que a Mafalda, a personagem do cartunista argentino Quino, dizia: “E não é que neste mundo tem cada vez mais gente e cada vez menos pessoas?”. Talvez ali, no corredor do shopping, não fossem pessoas – só gente. Porque nascemos gente – mas só nos tornamos pessoas se fizermos o movimento.



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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Repensagens

  
Hoje, ao me voltar, novamente, às leituras da pós e às inumeras produções textuais em que estou envolvida durante estas "férias" do trabalho, a disciplina de inclusão e diversidade cultural solicitava um texto, com no máximo 15 linhas. Pois é, após  rascunhos, cortes, acréscimos, e o envio do texto, decidi postá-lo aqui. Tem a ver com o espaço desse blog,pois não quero deixá-lo pesado, com assuntos cansativos, mas sim leve e capaz de refletir sobre aspectos importantes dessa via de diversas estradas, que é a vida.
Não tenho a pretensão de postar textos acadêmicos, bibliográficos,pois quero apenas dividir ideias, pensamentos e interações. 





                                                   "Unificação planetária"


            


  Vivemos em uma sociedade globalizada em que milésimos de segundos bastam para que o planeta todo receba as mesmas notícias,deseje as mesmas roupas e escute as mesmas músicas. As redes sociais reforçam essa "unificação planetária"  e assim sobra pouco espaço para o diferente, visto que as tendências são no sentido de tornar tudo e todos "iguais", criando o certo e o errado. A escola, por estar inserida nesse contexto, recebe alunos de classes sociais , aspectos físicos, valores e formas de aprender diferentes, e por isso precisa trabalhar essa diversidade com seus educandos.
    Nesse sentido, a escola deve ser um espaço voltado a discutir, fazer refletir sobre  valores éticos, morais, empatia, respeito, preconceitos, juízos de valor, posturas, bullying, auto-estima e espiritualidade.
Torna-se necessário mostrar que o diferente é apenas uma questão de opinião, abrindo espaço às discussões e a formação de seres humanos que permitam  a diversidade de ideias, de culturas,além do respeito ao outro, a sua aparência e às suas escolhas. Além disso, cabe a cada um de nós, cidadãos, levantar essa bandeira de luta contra quaisquer tipo de preconceitos, pois somente quem se vê igual ao outro, sem superioridade de qualquer modo é que se torna capaz de respeitar as pessoas, sem distinção alguma, independente de suas escolhas, de suas características ou posição social.Gente é gente em qualquer lugar ou situação.
    Assim o que hoje podemos chamar de utopia possa se tornar mais próximo e nossos jovens serão mais tolerantes, a empatia fará parte do cotidiano e a arrogância e a presunção serão meras palavras perdidas no tempo e nas páginas de algum escritor relatando fatos de um passado longinquo em que se julgava normal agredir índios, prostitutas, homossexuais, negros, mendigos, ou aquele colega lá da frente cuja aparência era julgada "fora dos padrões".

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CAMINHOS
Sabores
                     
                                      


                                  Sonhos...

"Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.
A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.
Sonho com o dia em que a justiça correrá como a água e a retidão, como um caudaloso rio.
Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter.
Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos.
É melhor tentar e falhar que ocupar-se em ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão, que nada fazer.
Eu prefiro caminhar na chuva a, em dias tristes, me esconder em casa. Prefiro ser feliz, embora louco, a viver em conformidade.
Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.
Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira.
O ódio paralisa a vida; o amor a desata. O ódio confunde a vida; o amor a harmoniza. O ódio escurece a vida; o amor a ilumina. O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo.
O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.
Nossa eterna mensagem de esperança é que a aurora chegará."
(Trecho do famoso discurso pronunciado por Martin Luther King pouco antes de ser assassinado)

 Quando dezembro se aproxima, geralmente começamos a pensar sobre o ano como uma página que está terminando. Quando conseguimos dar uma breve parada na correria diária (que neste mês se multiplica!!!), precisamos passar os olhos ao longo da folha do nosso ano. Ela pode estar coloridíssima, quase sem espaços em branco, cinza e sem graça ou toda rabiscada, com borrões ou até mesmo rasgada em alguns pontos.
Na folha, podemos amassar e jogar fora e começar uma novinha. Na vida, porém, nem sempre é possível apagá-la e começar do zero. Muitas vezes, uma letra mal traçada ou mal colocada pode ter outros desdobramentos.
O livre-arbítrio nos permite decidir quais caminhos queremos percorrer, as curvas, esquinas ou avenidas movimentadas ficam a nossa inteira disposição. Da decisão de cada momento é que dependerá os rumos da nossa caminhada.
Nesse sentido, ao analisarmos a “página” do nosso ano, refletiremos sobre os erros, os acertos, as vitórias e aqueles parágrafos que talvez gostaríamos de esquecer. No entanto, sempre é importante ter em mente que aquilo que escrevemos está ali, tal e qual nós escrevemos. Os caminhos percorridos, as escritas, os rabiscos, os desenhos coloridos e até aquele furinho na folha, quando apagamos demais.
Não são poucas as vezes que nos sentimos pequeninos e indefesos, com a certeza de que não conseguiremos produzir o texto que gostaríamos na nossa página da vida(ou aquele que esperam de nós). Cabe a cada um de nós optar por desistir ou  recomeçar um novo parágrafo. Por isso cada detalhe, cada leitura que realizamos, cada amigo, cada escolha, vai passar a fazer parte da nossa vida e vai surgir mais adiante subjetivado nessa página que é só nossa...
Assim, nesse momento de visualizar essa caminhada de doze meses, estejamos certos que trata-se somente de um ciclo, que é possível recomeçar sim, porque outra página em branco estará se abrindo para você. Não se trata de rasgar e jogar fora a anterior, mas de usá-la como fonte de aprendizado para reescrever a nova. Você sempre pode escrever o melhor texto, talvez até um poema, basta acreditar e ir à luta...

domingo, 28 de novembro de 2010

O que está acontecendo?

                                                              O que está acontecendo?



Uma avalanche de informações a respeito da invasão do BOPE e do poder instituído no complexo do Alemão, um conjunto de favelas no Rio, nos deixa perplexos e inquietos pois traz à tona o que a correria diária (que anestesia, às vezes) não nos deixa parar para refletir.
E ai, o mundo todo se pergunta:
O que está acontecendo?


What's Going On (tradução)
 Composição: Marvin Gaye/ Al Cleveland/ Renaldo Benson



Mãe, mãe
Há muitas de vocês chorando
Irmão, irmão, irmão
Há muitos de vocês morrendo
Você sabe que nós temos de encontrar um meio
Para trazer um pouco de amor hoje

Pai, pai
Nós não precisamos agravar
Veja, guerra não é a resposta
Pois apenas o amor pode conquistar o ódio
Você sabe que nós temos de encontrar um meio
Para trazer um pouco de amor aqui hoje

Piquetes e cartazes
Não me puna com brutalidade
Fale comigo, então você poderá ver
Oh, o que está acontecendo
O que está acontecendo
Sim, o que está acontecendo
Ah, o que está acontecendo

No meio tempo
Certo, baby
Certo
Certo

Mãe, mãe, todos pensam que nós estamos errados
Oh, mas quem são eles para nos julgar
Simplesmente porque temos cabelo comprido
Oh, você sabe que nós precisamos encontrar um meio
Para trazer um pouco de entendimento agora, hoje

Piquetes e cartazes
Não me puna com brutalidade
Fale comigo
Então você poderá ver
O que está acontecendo
Sim, o que está acontecendo
Eu direi o que está acontecendo
Certo baby
Certo baby